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O novo sempre vem

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O novo sempre vem

O novo sempre vem

É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem… (Belchior)

A pandemia do Coronavírus é um momento ímpar na história da humanidade. Especialmente pelo rastro de infectados e mortos, mas não só. Ela está afetando globalmente todas as dimensões da vida que conhecemos: sociais, políticas, econômicas, culturais, ecológicas, intergeracional.

Ela exige de nossas coletividades novas saídas, outras respostas.

Nunca vimos ou soubemos de um imperativo tão urgente e necessário do distanciamento físico como esse na história. Ele afeta de modo profundo nossa dimensão emocional, que muitos entram até em estado de choque ou mesmo de negação. Certamente muitas pessoas estão mais preocupadas com seus recursos financeiros, com sua reputação política, ou com as finanças da sua igreja e a influência que ela detém através de congressos e eventos. Fomos todos nivelados de certa maneira ao confinamento e ao contato online, exceto pessoas vinculadas a serviços essenciais.

Esse ser que a gente nem enxerga a olho nu, com nome a figurar facilmente em filme de ficção científica, COVID-19, é o agente capaz de nos colocar de quarentena por um período que não sabemos o quão longo será, e que tem sido capaz de nos retirar de nossa estrutura de conforto e desnudar nossas fraquezas e fragilidades. Talvez, não sabemos, até derrube governos. É certo, porém, que irá desestabilizar e afetar de modo mais profundo que possamos imaginar a economia global. A maneira como Trump e Bolsonaro respondem é sintomática, assim como alguns empresários, líderes religiosos ou jornalistas — o que está acontecendo está totalmente fora do seu controle.

A realidade, tal qual a conhecíamos, já não existe mais, está fora do nosso controle.

Talvez a metáfora bíblica que melhor descreva esse momento seja o “deserto”. O deserto evoca privação, escassez, abandono, ausência de perspectivas, confusão, respostas apressadas, solidão, tentação de seguir caminhos desesperados. Essas são reações que não refletem a perspectiva de Deus sobre a realidade e sobre nós.

Mas deserto também pode ser solitude, oportunidade de rever conceitos, de abandonar velhas práticas, a expectativa de encontrar oásis e lugares de descanso, e de sonhar com um novo tempo e uma outra sociedade.

Por isso, eu me agarro à ideia de que estamos diante de uma oportunidade de reinvenção coletiva e comunitária, de reimaginação da nossa fé e espiritualidade pessoal!

Um texto que me acompanha nos últimos anos, e ao qual recorro sempre que me encontro desanimado e sem esperança, é uma passagem bíblica do profeta Isaías, capítulo 43, versos 18 e 19:

Esqueçam o que aconteceu, não fiquem lembrando velhas histórias. Fiquem atentos. Não se distraiam. Vou fazer uma coisa diferente. E está para acontecer, não estão percebendo? (A Mensagem)

E se a gente levar a sério essa escritura e buscarmos viver em antecipação desse novo? Como podemos construir sinais desse outro mundo que desejamos viver? Como será se pautarmos nosso dia a dia em confinamento a partir do novo que está surgindo? O que isso será capaz de produzir em um mundo velho em ruínas? A partir de nossa quarentena pessoal e familiar como podemos ajudar a construir novos mundos coletivos?

Sejamos o novo que virá. E já chegou.

Antropólogo, com pós-doutorado pela Universidade de Montreal (Quebeque), ativista de direitos humanos e editor da Novos Diálogos. Idealizador do Festival Reimaginar. Organizou com Clemir Fernandes a coletânea "Reimaginar a Igreja no Brasil: 40 Vozes Evangélicas". Secretário executivo da Aliança de Batistas do Brasil.

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