Faça bonito!

18 de maio de 2015
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O tempo passa tão rapidamente que corremos o risco de deixar cair no esquecimento situações que jamais deveriam abandonar nossas mentes. Tais acontecimentos, por sua natureza e impacto, impõem a todos nós a necessidade da lembrança acompanhada por atitudes vigilantes que mantenham vivas nossas consciências. É necessário lembrar histórias de dor e sofrimento para que as mesmas não se repitam entre nós.

No dia 18 de maio de 1973, no Estado do Espírito Santo, uma menina de oito anos foi sequestrada, violentada e assassinada por jovens de classe média que jamais experimentariam a força da justiça; algo tão próprio de uma sociedade caracterizada pela impunidade, pela corrupção e pelo silêncio.

Este dia, delineado pela vergonha da violência, prática da covardia e violação de direitos, ficou instituído como o Dia Nacional de combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, desde a promulgação da Lei Federal n 9.970/2000.

Nos últimos dez anos, o serviço Disque 100, criado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para combater também este crime, recebeu aproximadamente cinquenta mil denúncias de abuso e exploração sexual contra esse público em todo país. Do total de ocorrências registradas, cerca de 80% indicam que tais atos são praticados por homens contra vítimas do sexo feminino; o que não é surpreendente num país patriarcal e machista como o Brasil.

Conforme informações disponibilizadas pela ONG Childhood, é fundamental que saibamos as diferenças entre abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. Tal compreensão poderá ser de grande valia em situações preventivas ou identificadoras destes delitos.

O abuso sexual acontece quando uma criança ou adolescente é usado para estimulação ou satisfação sexual de um adulto. Quando ocorre é, geralmente, resultado da imposição física, ameaça ou sedução; e pode acontecer no seio da família ou fora dela.

A exploração sexual, por sua vez, se dá quando alguém se utiliza de pagamento financeiro ou algum tipo de benefício para manter relações sexuais com crianças e adolescentes, tratando-as como mercadoria ou objeto.

O fato é que a presença de tais práticas contra crianças e adolescentes, em qualquer contexto, gera consequências terríveis e, muitas vezes, permanentes para aquelas que deveriam usufruir de ambientes caracterizados por segurança, amor, cuidado e proteção.

O manual de proteção para crianças e adolescentes publicado pela ONG Save the Children é claro ao apresentar os desdobramentos do abuso ou exploração infantil. Crianças e adolescentes vítimas de tais ações revelam comumente: pesadelos e dificuldades para dormir, mudanças nos hábitos alimentares, agressividade, medo generalizado, culpa, vergonha, conhecimento sexual precoce, retração social, depressão, ansiedade, entre outros.

É neste cenário que pessoas e organizações da sociedade civil se mobilizam para que a Campanha Faça Bonitoalcance milhões de famílias e possibilite mudanças neste quadro deplorável para todos e todas. Com uma flor como símbolo, a ação que ocorre em nível nacional propõe uma profunda reflexão sobre a vida, seus valores e compromissos.

É inaceitável, sob qualquer aspecto, a omissão por parte daqueles que deveriam agir para garantir os direitos de nossas crianças e adolescentes. Igrejas e comunidades de fé também são chamadas para abraçarem esta causa.

Sérgio Andrade

Sérgio Andrade

Deão da Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, em Recife, e membro do Conselho Diretor da ong Diaconia.

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