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Direitos Humanos 70 Anos – Artigo 4 – O Deus Libertador

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Direitos Humanos 70 Anos – Artigo 4 – O Deus Libertador

Carlos Alberto Bezerra Júnior*

A liberdade é sem dúvida uma questão central na pregação de Jesus. O texto de Lucas capítulo 4 por exemplo é uma espécie de plataforma do ministério de Jesus. “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”. A partir desse texto várias histórias e experiências são construídas. Em Lucas 4 Jesus “inusitadamente” retoma o texto de Isaías 60.

Mas afinal de contas, o que significa o ano aceitável do Senhor? Se a gente voltar um pouco mais a gente vai perceber que essa expressão é de Levítico e Deuteronômio. Em Levítico e Deuteronômio o ano aceitável seria o ano do Jubileu. O ano do Jubileu era uma forma de dizer que o ritmo da vida não poderia sucumbir a pressão do sistema econômico que oprimia o povo. Lembra da escravidão no Egito? Lembra como eram as condições de vida do povo hebreu? As narrativas bíblicas apresentam a fuga dramática de um grupo de escravizados da condição de exploração, opressão e violência no Egito. Tinham todos os seus recursos expropriados pelo Império Novo de Ramsés II: terras, rebanhos, força de trabalho, alegria e liberdade. O Jubileu era uma forma de conter poderes que escravizavam e oprimiam o povo. Nesta nova humanidade, ninguém seria escravo de ninguém.

Primeiro precisamos entender que a escravidão não acabou. Isso é fato. Ela se modernizou, mudou o jeito de acontecer. Ela explora a miséria e se aproveita dos sonhos das pessoas por uma vida melhor. Segundo relatório da ONG Walk Free Foundation, existem ao menos 45 milhões de pessoas escravizadas no mundo. Há mais gente escravizada hoje no mundo que no período em que a escravidão era ‘legalizada’. Isso é o equivalente ao Estado de São Paulo inteiro trabalhando nessas condições criminosas, desumanas.

No Brasil essas pessoas estão na cadeia produtiva do algodão, vendido para a indústria têxtil; a exploração está no detergente produzido com babaçu; na indústria frigorífica. O trabalho escravo está na Vila Curuçá, na Zona Leste de São Paulo, numa oficina de costura que explora trabalhadores imigrantes, especialmente bolivianos, que trabalham 18 horas por dia, para ganhar R$ 0,20 por peça produzida.

O mundo precisa de gente comprometida com práticas de justiça e igualdade. Gente profundamente comprometida com o Ano Aceitável. Gente com ousadia e coragem de dizer: o Reino de Deus chegou. Cessem a injustiça, combatam a corrupção, aniquilem as desigualdades.

Aposto nisso porque acredito que há um outro jeito de ser cristão; há uma outra forma de encarnar a fé em Jesus. Aposto nisso porque acredito que oprimir as pessoas não é apenas maldade, é blasfêmia contra Deus. Nós nos opomos às injustiças por imperativos de fé. Não se levantar contra a opressão e a injustiça é desobedecer a Deus, pois qualquer violação de direitos daqueles que detém a imagem de Deus precisa ser denunciada, condenada e reparada. Isso precisa ser visto como um compromisso de fé.

*Deputado Estadual em São Paulo.

A Série Direitos Humanos em Devocionais é uma iniciativa de Paz e Esperança Brasil, composta de devocionais com sugestões de leitura bíblica e de orações em diálogo com os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos que completam 70 anos em 2018. Para mais informaçoes sobre Paz e Esperança Brasil, acessehttp://www.pazesperanca.org

Paz e Esperança tem como foco oferecer atenção integral às pessoas e comunidades que têm sofrido violações diretas a seus direitos. Por meio da educação, materiais educativos, pesquisas, monitoramento, comunicação e redes Paz e Esperança Brasil promove a cultura de paz e a justiça numa realidade marcada por insegurança e violência. Inicia suas atividades na cidade do Rio de Janeiro, a partir de 2018, em meio a uma situação de intervenção federal na área de Segurança Pública, num contexto de um Estado falido que não tem conseguido atender minimamente a população em seus direitos básicos. Estes são os desafios que nos movimentam e ao quais esperamos cooperar em suas respostas.

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