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Manifesto do Encontro Latino-Americano de Jovens Evangélicos

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Manifesto do Encontro Latino-Americano de Jovens Evangélicos

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Hoje, em coerência com o Deus da vida, em quem acreditamos, declaramos que chegou a hora de silenciar os maus-tratos na vida de jovens, mulheres e povos que estão sujeitos a viver uma vida indigna, meia vida, sem oportunidades e sem possibilidades. Violência e morte por ser mulher, por ser negra, por ser indígena, por ser LGBTI+, uma morte que saiu do controle e que com a pandemia do novo coronavírus só mostra a catástrofe com a qual vivemos respirando perto de nós todos os dias, sem comida, sem saúde, sem emprego, sem terra, sem água, sem pai, sem mãe, sem irmãos, sem filhos, sem igreja. A violência que os estados exercem contra os que são diferentes e diversos; contra aqueles que vivem em territórios que são do interesse de um projeto estrangeiro; contra aqueles que expressam suas vozes para viver uma vida abundante e plena, sem o sofrimento da guerra, é um pecado terrível e imperdoável que permanece desde que chegaram os invasores europeus com a mesma morte a este continente.

É por isso que declaramos que vidas negras importam, que a vida dos jovens negros assassinados por todo o mundo e principalmente nas favelas da América Latina são importantes no Reino de Deus. A heresia do racismo afirma que Deus errou em sua criação, mas nós sabemos que o Espírito que sopra como quer e onde quer e a missão que não se trata somente da alma mas também de todas as esferas da vida humana, nos direcionam e encorajam para a promoção da justiça racial. Sejamos desobedientes em meio à injustiça para continuarmos na vontade de Deus. E é por isso que o Miqueias Jovem América Latina não se calará diante de tantas violências em nosso tempo.

Reconhecemos que nosso silêncio nos torna cúmplices na morte de milhares de pessoas, defensores do território, da Terra, irmãos e irmãs indígenas que, com suas vidas, falam conosco do sangue dos injustiçados. Pedimos seu perdão, Deus, e oramos para que a Ruah nos dê forças para andar, lutar, resistir e levantarmos juntas e com elas.

Mulheres de todas as idades são constantemente expostas à violência de gênero, perpetradas de maneira sutil e explícita, e normalizadas por uma sociedade machista que encobre o estuprador/agressor e condena a vítima.

Essa pandemia não interrompeu a violência contra as mulheres, muitas das quais precisam morar com seus agressores devido ao confinamento.Os governos e organizações civis de nossos países registram o aumento alarmante de feminicídios, estupros, pedidos de denúncia de violência doméstica. No entanto, também se sabe que esses dados não refletem a violência daquelas que não podem acessar as linhas de emergência e que tentam sobreviver em silêncio ou diante da indiferença da comunidade. Isso, aliado ao assédio sexual nas ruas, intimidação e violência sexual sofridas por mulheres que saem para trabalhar ou para comprar mantimentos, por parte de vizinhos, policiais e militares. Essa outra pandemia chamada patriarcado é ainda mais urgente combater.

Lamentamos que a cis-heteronormatividade presente nas sociedades latino-americanas, estruturalmente patriarcais, seja reforçada e instrumentalizada pelo discurso religioso cristão, especialmente evangélico, para promover violência, exclusão, silenciamento e invisibilização dos corpos LGBTI+. Por isso, juntamos nossas vozes a nossos irmãos e irmãs LGBTI+ evangélicos para pedir perdão e ao mesmo tempo denunciar o pecado da LGBTfobia que oprime e violenta uma parte do rebanho de Jesus. Ao mesmo tempo celebramos que por meio do diálogo avançamos passo a passo na direção da inclusão e afirmação dos corpos com gênero e/ou sexualidade diversos do padrão cis-heteronormativo, obra do Espírito Santo, a Divina Ruah. Cremos e declaramos que só é possível pôr fim à LGBTfobia quando a igreja reconhecer que corpos diversos em suas expressões de gênero e sexualidade manifestam o caráter criativo da Trindade perfeita e celebram a criação que Deus viu e disse que era “muito boa”. Uma igreja evangélica que ama a Deus e promove o seu reino em meio às necropolíticas de nossa América Latina celebra a diversidade.

Se nossa fé não nos permite ver claramente esse pecado contra a criação, que é reforçado pelo nosso modo de crer, é uma fé que nada tem a ver com o Deus da Bíblia, muito menos com Jesus.

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