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Dia Internacional da Mulher: conquistas, retrocessos e histórias dramáticas

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Dia Internacional da Mulher: conquistas, retrocessos e histórias dramáticas

A Política Especial para mulheres, a conquista de postos de poder na sociedade e a presença de mulheres como maioria em cursos universitários são algumas das conquistas que a teóloga feminista Ana Maria Tepedino, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), enumerou ao falar do avanço das mulheres em um século de lutas, comemorado neste dia 8 de março.

Sem ilusão, consciente das dificuldades trazidas pela pós-modernidade e do aprimoramento do mecanismo capitalista na exploração da mão de obra feminina, esta conferencista e assessora fala das dificuldades que surgem e dos diálogos e trocas com outros grupos marginalizados, como as populações negras, indígenas e de baixa renda, com os efeitos mais duros da pobreza registrados em rostos femininos.

Desde a tragédia das operárias norte-americanas carbonizadas em 1910, “a luta pelos direitos das mulheres vem crescendo, fazendo conquistas reais em diversos lugares do planeta, das periferias dos países pobres ao centro de sociedades europeias como a inglesa, a francesa e a alemã, assim como na Ásia e na América Latina”, garante Tepedino. Isso se tornou possível quando feministas do primeiro mundo se solidarizaram com as mulheres do sul, reverberaram seus gritos e, como Elisabeth Schüssler Fiorenza, fizeram teologia ouvindo as vozes das mulheres sem vez e sem voz, enfatizou.

O impacto de um movimento de palavra frágil, como o feminista, começou a transparecer quando “essa palavra juntou-se a outras modalidades de palavras frágeis, na pós-modernidade, chegando a dialogar entre si”. Isso possibilitou denunciar a violação de mulheres e o feminicídio. “Caminhamos muito, mas ainda somos violadas e conspurcadas naquilo que é o mais importante da gente, que é o nosso corpo!” Mesmo com a Polícia Especial, há mulheres que têm vergonha de dizer que foram violadas, das quais conheço relatos do Brasil, do México, da Costa Rica, do Chile, entre outros países”.

As mulheres chegaram a postos de trabalho e de mando na sociedade, mas isso não se transformou em benefício para outras mulheres e nem impediu a perpetuação de problemas como a diferença de salários do de homens nas mesmas funções. O paradoxo é que avanços como a presença de mulheres ocupando 80% das vagas em cursos como Engenharia e Medicina coexistem com a realidade de 70% de mulheres que são chefes de família, a feminização de profissões, que implicam em aviltamento salarial e provocam mudanças como o crescimento da presença masculina na Enfermagem.

A professora explicou que a retirada da expressão “a mulher é dona do seu próprio corpo” do terceiro Plano Nacional dos Direitos Humanos (PNDH3) se deveu ao fato de “estar ligada à luta pela descriminalização do aborto e despertar muitas sensibilidades, sobretudo religiosas”. A reação de setores da sociedade a “uma frase estereotipada consegue impactar o posicionamento político do Governo Federal no avanço da caminhada das mulheres”, lamentou.

Para situar o assunto no cotidiano, comentou três situações dramáticas. A primeira é a do sofrimento da esposa frente à dificuldade de emprego e a espiral de violência que começa na permanência do homem desempregado em casa, no impacto cultural de não trabalhar, cuja dificuldade de lidar com o problema, as cobranças e a bebida, potencializam tensões e resultam na violência contra a mulher.

Outra situação, a segunda, é a que surge das condições de exploração do trabalho feminino, como na última etapa da confecção de roupa íntima nas fábricas de lingerie. Com a sofisticação da exploração trabalhista, esses produtos são levados para mulheres do interior, que executam o acabamento das peças, fixando adereços em troca de poucos centavos. O preço baixo custa o sacrifício de mulheres pobres.

E a terceira é a situação “de uma mulher que fica viúva, tem certa idade e não tem emprego. Sem conseguir arranjar um trabalho formal, vai viver de biscates para arranjar um ‘dinheirinho’ para levar para casa”. Assim, este século registra os dramas da humanidade feminina, com suas derrotas e as vitórias.

 

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