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Movimento ecumênico participa da Marcha das Margaridas

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Movimento ecumênico participa da Marcha das Margaridas

Movimento ecumênico participa da Marcha das Margaridas

[De CONIC]

Acordadas desde cedo, centenas de milhares de mulheres levantaram o acampamento, montado no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, e marcharam 6 quilômetros em direção ao Congresso Nacional, em Brasília.

Munidas de seus tradicionais chapéus de palha e trajes roxos de todos os tons, coloriram a esplanada dos ministérios sob o lema “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”. Organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) de quatro em quatro anos desde os anos 2000, essa edição contou com um número recorde de mulheres. As organizadoras estimam cerca de cem mil manifestantes.

“Estamos em um momento difícil para as mulheres, porque muitos dos nossos direitos estão sendo retirados e nós, mulheres do campo, das águas e das florestas, estamos aqui unidas para mostrar não só para o governo e para o Congresso, mas para a sociedade como um todo, qual o modelo de desenvolvimento queremos”, disse a coordenadora geral da marcha, Mazé Morais, de 36 anos.

Organizações ecumênicas, representadas pelo Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT), também marcaram presença em peso.

O nome da marcha presta homenagem à Margarida Maria Alves, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoana Grande, na Paraíba. Ela foi assassinada em 12 de agosto de 1983, a mando de latifundiários da região. Os responsáveis pela sua morte nunca foram punidos, mesmo com a repercussão internacional do caso, que chegou a ser denunciada à Comissão Interamericana de Direitos. Para manter viva a sua memória, sua casa foi transformada em museu. Nas paredes do lugar está cunhada a frase mais famosa de Margarida: “Da luta eu não fujo. É melhor morrer de luta do que morrer de fome”.

Pela primeira vez, o protesto contou com a participação das mulheres indígenas.

De acordo com o jornalista Paulo Moreira Leite, a Marcha traz “um sinal sinal forte da resistência a um governo que, pela primeira vez desde o fim da ditadura militar,  assume a defesa aberta e incondicional dos grandes proprietários de terra e seus interesses”.

“A partir da decisão de Jair Bolsonaro de paralisar a reforma agrária, anunciada logo depois da posse, áreas que há muito tempo eram ocupadas por famílias de pequenos agricultores podem ser devolvidas aos antigos proprietários. Só na região Sul e Sudeste do Pará há pelo menos 20 áreas que enfrentam este processo”, acrescenta Paulo.

Foto: Fernando Tatagiba

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