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Notas e declarações de igrejas e organizações cristãs sobre o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

Notícias

Notas e declarações de igrejas e organizações cristãs sobre o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

Aliança Cristã Evangélica Brasileira

Assassinato de Vereadora no Rio: Luto, Indignação, Solidariedade
A Aliança Evangélica Brasileira manifesta a sua perplexidade, indignação e solidariedade diante da morte brutal da Vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro. Causa perplexidade o fato de que mulheres negras ainda sejam as maiores vítimas da violência cruel em nosso país. A nossa indignação é pelo fato de que vemos esse abismo social aumentando dia após dia no Brasil. A nossa solidariedade para com todos os familiares e amigos da Marielle, além de todos que oram e lutam nas causas da justiça e da paz.

CADI- Maré

O CADI Maré (RJ) lamenta a morte violenta de Marielle Franco.
O símbolo de uma luta pelos vulneráveis que habitam as comunidades carentes não pode ser silenciado.
Enquanto moradora do Complexo da Maré, Marielle assumiu o desafio de estabelecer diálogos, levantando sua voz em favor de outros que sofrem as violências impostas pelas estruturas de poder de dentro e fora das comunidades.
Se tornou, assim, uma lutadora contra as opressões, desde muito jovem, sendo porta-voz daqueles que se encontram amordaçados pelas políticas excludentes.
O lamento da coalizão CADI BRASIL, representado pelo Cadi Maré simboliza uma perda, inestimável, de uma mulher, negra, mãe, ativista, solidária, cheia de compaixão e defensora dos direitos dos injustiçados sociais.
Nossa nota de pesar reflete nossa fome por justiça e repúdio a qualquer forma de violência. Toda nossa solidariedade à família e amigos de Marielle Franco.

Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular – CESEEP

É com profunda dor e indignação que recebemos a notícia da brutal execução da vereadora Marielle Franco, jovem liderança negra da comunidade da Maré no Rio de Janeiro, quando saia de um evento na Lapa: Jovens Negras movendo as estruturas.
Queremos expressar nossa solidariedade à sua família, à comunidade da Maré, ao movimento negro e ao seu partido, o PSOL, assim como à família do motorista Anderson Pedro Gomes que a conduzia e que foi igualmente assassinado.
Neste ano eleitoral, em que o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular/CESEEP consagrou seu Curso de Verão à Política: ÉTICA E PARTICIPAÇÃO POPULAR NA POLÍTICA A SERVIÇO DO BEM COMUM, no intuito de suscitar jovens lideranças para este nobre serviço à vida pública, assistimos chocados à onda de desqualificação desta vocação e agora à eliminação física de pessoas com mandato popular.
Isso só reforça nosso compromisso com pessoas, movimentos e instituições dedicadas a construir uma sociedade mais justa, único caminho para se superar a violência, na construção da paz, como apontava o profeta Isaías: O fruto da justiça é a paz (Is. 32, 17) e como propõe a Campanha da Fraternidade deste ano: Fraternidade e Superação da Violência.
Pe. José Oscar Beozzo, coordenador geral do CESEEP.

Centro de Estudos Bíblicos – CEBI

Participando do painel ecumênico “As igrejas na resistência aos cenários de golpe na América Latina”, durante o Fórum Social Mundial em Salvador, a Direção Nacional do CEBI expressa sua indignação diante da execução da vereadora Marielle Franco, ocorrida no dia de ontem, 14 de março, no Rio de Janeiro:
Hoje somos surpreendidos\as com a execução da companheira de luta Marielle Franco. Seu trabalho sempre foi em defesa dos pequenos, em especial de jovens e mulheres negras, as maiores vítimas das ações violentas, denominadas pelos meios oficiais de “intervenção para garantir segurança”.
Sua denúncia aos crimes institucionalizados exige de cada um/a continuar firme na luta por uma sociedade justa e sem violências. Na tristeza, mas na teimosia da esperança, o CEBI espera que o sangue derramado de nossa companheira regue as nossas resistências.
Marielle Franco, presente em nossas lutas contra os criminosos que somam sangue sobre sangue.
Presente com tantas/os mártires que doam a vida por mais vida!

Coletivo Ame a Verdade – Evangélicos contra a Corrupção

Lamento sobre a morte de Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes.
“Abre a tua boca em favor dos e das que não podem se defender; defenda os direitos de todas as pessoas desamparadas!” Provérbios 31:08
O Coletivo Ame a Verdade lamenta profundamente a forma brutal que ceifou violentamente a vida de Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes.
Marielle Franco foi uma mulher que assumiu a responsabilidade de ser voz profética e de maneira corajosa e exemplar denunciou as atrocidades que os poderosos estavam fazendo aos grupos de minorias como mulheres, jovens, gays, negras e negros das periferias.
Mulher, negra, lutadora e corajosa, representava 46.000 pobres que a elegeram como vereadora da cidade do Rio de Janeiro.
A execução de Marielle não nos calará, muito pelo contrário, fortalece ainda mais o nosso grito de denúncia aos opressores e promoção de um reino de paz e justiça.
Nós do Coletivo Ame a Verdade manifestamos toda a nossa solidariedade aos familiares e amigos de Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes e esperamos que as medidas cabíveis sejam tomadas e que a justiça prevaleça.
“Não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos.” Atos 4.20
Nosso “luto” nesse momento se torna verbo.

Coletivo Vozes Marias

Nota de Solidariedade e Pesar:
Nós, feministas do Coletivo vozes Marias -CVM, estamos indignadas e devastadas com o brutal assassinato de Marielle Franco, mulher negra, lutadora, defensora dos direitos humanos, destemida, ousada, mãe, filha, companheira e um exemplo de força para nós mulheres.
Oferecemos todo nosso apoio e pesar à companheira e toda a família de Marielle e de Anderson Pedro Gomes, num momento como este de tanta dor.
Queremos verdade e justiça! Marielle foi executada dias após denunciar a violência policial em favelas do Rio, agravada pela intervenção militar.
Esta morte cruel não apagará o exemplo de Marielle em nossas lutas!
Gritaremos e lutaremos mais e mais…
Seguiremos em luta, por Marielle e por tantas outras!
Coletivo Vozes Marias, 14 de março de 2018.

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Estado do Rio de Janeiro – CONIC-RJ

“Felizes os que são perseguidos por causa da justiça,porque deles é o Reino do Céu.” (Mateus 5,10)
O Conselho de Igrejas Cristãs do Estado do Rio de Janeiro (CONIC-RJ) vem manifestar o seu pesar pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Pedro Gomes, na noite de ontem, na cidade do Rio de Janeiro.
Manifestamos também solidariedade para com os familiares, amigos e amigas, bem como todos os eleitores que depositaram sua confiança em Marielle nas últimas eleições municipais, com expressiva votação.
Acompanhamos sua trajetória de luta pelos Direitos Humanos e Sociais, a mobilização que realizava junto a mulheres empobrecidas, e suas denúncias recentes sobre os crescentes casos de violência urbana contra a população jovem e negra.
Há pessoas que se destacam rapidamente na luta pela igualdade social, apesar da sua juventude. No caso de Marielle, ela não se destacou sozinha, mas organizou politicamente e deu voz a tantas mulheres quanto encontrou pelos caminhos. Sabemos da dificuldade de enfrentar as injustiças na sociedade brasileira, por isso somamos forças com todas as pessoas e instituições que promovem a paz e dignidade humana.
Ao perdemos Marielle para a violência recorrente de nossa cidade, no momento em que ela acompanhava como parlamentar a intervenção militar no estado do RJ, exigimos que as investigações do caso sejam rigorosas e conclusivas. Assim como deveria acontecer na investigação de todas as vítimas de violência, pois todas as vidas importam para Deus e para a sociedade.
Quando a voz de um inocente é silenciada, milhares de vozes se levantam.
“E ninguém vai calar, nossa voz nosso canto de paz,Sem poder represar, toda a água que corre para o mar.”Laan Mendes de Souza

Diaconia

#SouUmaMulherDeCoragem: Manifestamos toda nossa solidariedade à família e aos amigos e amigas da vereadora Marielle Franco, exemplo de mulher de coragem por ser negra, mãe, feminista e defensora dos direitos humanos.
Lamentamos também a morte do motorista Anderson Pedro Gomes. É inaceitável que crimes como esse continuem acontecendo.
Que a morte de Marielle não enfraqueça nossa luta pela garantia de direitos, mas nos dê forças e valentia para continuarmos sendo Mulheres de Coragem, como Marielle, na proclamação de um reino de justiça e paz!
“Abre a tua boca em favor dos e das que não podem se defender; defenda os direitos de todas as pessoas desamparadas!” Provérbios 31:08

Editora Novos Diálogos

Marielle, presente!
Com pesar e indignação soubemos da morte de Marielle Franco, vereadora do Psol/RJ, e de seu motorista, Anderson Pedro Gomes, na noite de 14 de março na região central do Rio de Janeiro.
Marielle era uma ativista de direitos humanos alegre e combativa na luta das mulheres, das pessoas negras e Lgbts, e de moradores das favelas do Rio.
Sua vida e sua militância política representavam um sopro de esperança do Espírito diante da situação calamitosa em que se encontra o Rio de Janeiro.
Sua ousadia profética nas denúncias e seu mandato a serviço e em defesa dos territórios ocupados nos faziam acreditar que o novo transformador sempre vem.
Hoje nos consternamos e choramos pela perda da Marielle, mãe, filha, amiga, companheira de militância.
Honraremos a memória de Marielle e continuaremos sua ação e atuação. Não vão nos calar!
Com Marielle insistimos: Quantos precisarão morrer para que essa guerra acabe?
Somos resistência, afeto, luta e esperança, com justiça e paz sob o amor poderoso e consolador de Jesus de Nazaré.
Editora Novos Diálogos, 15 de março de 2018

Evangélicas pela Igualdade de Gênero – EIG

Nota sobre o assassinato de Marielle e Anderson
Nós, do coletivo Evangélicas pela Igualdade de Gênero, queremos anunciar nossa indignação com a mortes de Marielle e Anderson e, também, prestar solidariedade a seus familiares e amigos.
A primeira grande indignação se dá pela maneira como as mortes ocorreram: uma execução sumária.
A segunda grande indignação se dá pelo fato de Marielle ser uma parlamentar e, numa democracia, se os parlamentares são alvos de execução é que a situação está rumando para o caos.
E a terceira, e maior, indignação se dá pelo fato de Marielle – negra, pobre, lésbica e oriunda da Favela da Maré – ser uma mulher que, de fato, se preocupava com os excluídos da sociedade.
De fato, Marielle, em sua trajetória de militância, cumpriu o que está em Mateus 25: acolheu os excluídos. Muito nos chateia posições de muitos “cristãos” que tripudiaram sobre a imagem de Marielle, ao resumirem tudo à morte de um “inimigo” que deveria ser eliminado.
Até quando nós, cristãos, vamos nos furtar a atender o chamado de Cristo ao amor, à empatia e ao cuidado com o próximo? Marielle nos mostrou o que é amar o outro, lutando por ele.
Que aprendamos com seu exemplo. Marielle, presente!

Igreja Batista de Coqueiral – Recife/PE

Somos resistência, afeto, luta e esperança – Marielle Franco.
Podem até matar uma pessoa, mas, jamais matarão um ideal!
Os assassinatos de Marielle Franco, vereadora da cidade do Rio de Janeiro, e de Anderson Gomes, seu motorista, assolam a vida de todas as pessoas que lutam pelo estabelecimento da Justiça, seja ela em qual nível for. Também denuncia a falência do Estado, toda vez que não consegue proteger quem protege, ou então, o que é pior ainda, quando se torna instrumento de injustiça.
Marielle denunciava o que a grande mídia não quer mostrar: que mulheres, jovens, pretos/as, favelados/as e empobrecidos/as são assassinados/as diariamente no Rio de Janeiro, e no país em geral, e o Governo insiste em resolver esse problema com a militarização das ações, enquanto mães não têm uma creche para deixar seus filhos e irem em busca do pão de cada dia. Marielle era uma “pessoa não grata” para quem detém o poder, porque representava 46000 pobres que acreditaram nela quando a elegeram vereadora no Rio. Ela passou a semana antes de sua morte denunciando as violações da Polícia Militar em Acari, no Rio de Janeiro. Sua voz representava perigo.
A Igreja Batista em Coqueiral se entristece com isso, espera medidas certeiras dos responsáveis pelas investigações, e se alia à voz de Marielle quando mantém o compromisso de não deixar cair a Profecia.
Calam uma pessoa, ecoam a sua voz na boca de milhões.
Não nos calaremos em favor dos oprimidos (Provérbios 31.8).

Igreja Católica Apostólica Romana – Arquidiocese do Rio de Janeiro

Se um irmão sofre, todos sofrem com ele, pois nós todos, lembra-nos o lema da Campanha da Fraternidade deste ano, somos irmãos.
A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, tendo em vista o triste quadro de violência em nossa cidade, manifesta sua solidariedade a todas as vítimas, seus familiares e amigos.
Diante da morte de tantas pessoas, dentre as quais a Vereadora Marielle Franco e seu motorista, o Sr. Anderson Pedro Gomes, torna-se ainda mais urgente reafirmar o valor da vida, desde a concepção até a morte natural. De fato, a violência é um mal que se multiplica incessantemente, toma inúmeras formas, penetra nos mais diversos ambientes e faz um número cada vez maior de vítimas.
Cada vítima, é um clamor aos céus e aos corações para que se unam todas as forças a fim de que se supere a violência e suas causas. Cada vida ceifada faz recair sobre todos nós a responsabilidade pela efetiva busca de uma cultura de paz, concretizada no respeito à dignidade de todas as pessoas, em especial, as mais fragilizadas.
Não deixemos que, junto aos corpos sepultados, se enterrem igualmente nossa esperança e nosso empenho pela construção de mundo sem violência, fome, desemprego, corrupção, preconceito e tantas outras mazelas.
Que as vítimas descansem em paz. Que seus familiares encontrem em Deus a paz tão necessária. E que todos nós sejamos instrumentos dessa paz.

Igrejas da Comunidade Metropolitana do Brasil

A Comissão de Direitos Humanos das Igrejas da Comunidade Metropolitana vem a público manifestar o profundo pesar pela execução de Marielle Franco, vereadora eleita na cidade do Rio de Janeiro, com amplo e expressivo número de votos. Marielle era mulher, mãe, preta, lésbica e favelada. Pesando sobre ela todos os estigmas próprios das pessoas que são colocadas à margem de uma sociedade hierarquizada e regulada pela heteronormatividade branca, cisgênero e masculina, Marielle conseguiu ir além, superando os preconceitos e se permitindo ascender no âmbito dos estudos através de um pré-vestibular comunitário, que a levou a entrar na universidade. Socióloga e mestra em administração pública, seu caminho não parou nos círculos acadêmicos. Ela ousou ir além. Guerreira, candidatou-se à vereança da Cidade Maravilhosa, e foi a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro, iniciando seu primeiro mandato no ano de 2015.
Mas o maligno, a desesperança e a perversidade resolveram se materializar na última quarta-feira (14), quando, em uma emboscada, Marielle Franco foi executada a tiros próximo ao centro da cidade, logo após sair de um evento dedicado à partilha e sociabilidade de mulheres negras. E morreu no ato, junto com seu motorista, Anderson. Ontem Marielle Franco e seu motorista foram velados na Câmara Municipal e sepultados no fim da tarde, e uma multidão de pessoas indignadas, tanto na cidade do Rio de Janeiro quanto em muitas outras cidades do Brasil e do mundo, rememoraram a trajetória desta célebre mulher, ao mesmo tempo em que pediam justiça. Nós participamos desses atos como igreja e como cidadãs e cidadãos.
Nós, Igreja da Comunidade Metropolitana, somos uma organização religiosa que acredita piamente no senso de justiça social, e nos colocamos nesta vida com consciência de que o Reino de Deus não está depois da morte, apenas, mas começa aqui nesta vida, e dele somos construtores e construtoras. Marielle Franco era uma liderança importante na construção do Reino de Deus, mal importasse sua crença, sua religião ou sua fé. Porque o Reino de Deus não está restrito às nossas convenções sociais, mas é o objetivo de todo aquele e de toda aquela que luta por um mundo justo, igualitário, pacífico e livre. Como Igreja de Cristo, temos como missão o dever de denunciar a miséria humana e as suas causas. Temos o dever de denunciar as opressões e lutar para que elas sejam extintas. Desse modo, Marielle Franco é para nós uma referência importante – talvez, atualmente, a mais significativa – no cenário político da cidade do Rio de Janeiro e do Brasil.
Por se colocar em defesa dos Direitos Humanos, sobretudo das mulheres, da população negra, da população LGBT, das comunidades de favela e por todas as populações excluídas é que Marielle Franco foi executada. Expressamos neste manifesto as vozes de todas as Igrejas da Comunidade Metropolitana do Brasil e do mundo, pois a Igreja de Cristo não pode se calar! É preciso que Marielle Franco esteja viva entre nós, e afirmamos aqui o nosso compromisso de sermos guardiãs e guardiões de sua memória e de seu legado.
Como profetas e profetisas na história da nossa fé, Marielle viveu. E como muitos de nossos mártires, ela morreu. Por isso, gostaríamos de convidar cada pessoa a se somar às Igrejas da Comunidade Metropolitana em oração, em prece, em emanar boas vibrações e energias positivas para mantermos viva a memória e a luta de Marielle. Nós, que lutamos por justiça, pelo fim das opressões, pela aniquilação das desigualdades e o extermínio de todas as formas de preconceito. Nós, que lutamos pela paz no mundo, e contra o racismo, o machismo, a lesbofobia, a transfobia e a homofobia. Que todas e todos nós possamos ser, a partir de agora, Marielle Franco, e não deixar que seu legado se acabe com os nove tiros que foram disparados contra ela. Para isso, é fundamental que exerçamos, com consciência, o nosso poder de mobilização, de ação e de luta. Enquanto isso, que ela vele por nós. Do luto à luta, irmã Marielle Franco. Ajuda a gente, porque aqui embaixo está difícil demais. Que o Espírito Santo de Deus a receba na eternidade! Em nome de Jesus. Amém.
Em 16 de março de 2018,
Comissão de Direitos Humanos das Igrejas da Comunidade Metropolitana do Brasil

Igreja Metodista Terceira Região

Antes, corra o direito como as águas; e a justiça, como ribeiro perene.” Amós 5.24
Ontem soubemos pelos jornais e portais de notícias do assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco, e do motorista do veículo onde ela estava, Anderson Pedro Gomes.
A Igreja Metodista na Terceira Região, na pessoa do Revmo. Bispo José Carlos Peres, se solidariza com familiares, amigas/os, parentes e companheiras/os de caminhada da vereadora.
A Igreja Metodista na Terceira Região está consciente desse momento sensível que passa nosso país, que vive uma crise que vai muito além da economia, mas uma crise das instituições, uma crise ética e moral, uma profunda crise espiritual que se manifesta em violência e morte. O assassinato da vereadora Marielle não é um caso isolado, mas um projeto de poder no qual vidas, principalmente as dos mais empobrecidos, têm sido ceifadas cotidianamente, não somente no Rio de Janeiro, mas em todo o território nacional.
A ONG mexicana Conselho Cidadão pela Seguridade Social Pública e Justiça Penal, que avalia violência em municípios com mais de 300 mil habitantes, divulgou um ranking* mundial de 2016, no qual o Brasil aparece como o país que tem o maior número de cidades violentas. Das 50 cidades do ranking, 21 estão aqui.
É momento de profunda reflexão. É momento de oração e intercessão pelo nosso povo. É momento de levantar a voz para, em primeiro lugar, proclamar o Evangelho da Salvação que tem o poder de transformar a vida das pessoas e também clamar por justiça e paz para o nosso povo e para o mundo.
(Dados sobre o ranking em pdf nesse link: http://www.seguridadjusticiaypaz.org.mx/…/230-caracas-venez…)

Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU)

SOBRE O ASSASSINATO DE MARIELLE FRANCO E ANDERSON GOMES
A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) se une às vozes que não se calaram diante do brutal assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson, na noite do dia 14 de março de 2018.
Marielle provou que é possível construir sua trajetória de vida a partir do complexo da Maré, passando pela busca e aprofundamento de conhecimento que embasou sua militância e seu trabalho incansável em defesa da vida, dos direitos humanos, da igualdade de raça e gênero.
Foi eleita vereadora em 2016 na cidade do Rio de Janeiro com a quinta maior votação e, na contramão da tendência da classe política de usar seu cargo em benefício próprio, aproveitou esta prerrogativa para ser uma voz profética de denúncia da violência presente numa cidade sofrida que vive no momento sob intervenção militar.
Marielle representa todas as mulheres vítimas de feminicídio, preconceito racial e de gênero.
Anderson representa todos/as os/as trabalhadores/as que procuram sobreviver num país que tem sistematicamente retirado nossos direitos trabalhistas e previdenciários, reduzindo drasticamente verbas e cancelando programas de apoio à educação, sucateando o Sistema Único de Saúde (SUS), atrelando nossa economia a interesses políticos, onde a maioria dos trabalhadores recebe um salário de sobrevivência, conhecido como salário mínimo, enquanto muitos juízes reivindicam auxílio-moradia mesmo sendo proprietários dos imóveis onde moram…
Sabemos que temos que responder #Presente! a muitos outros nomes de pessoas assassinadas ou vítimas de violência presente em nosso país, passando por crianças e adultos vítimas de bala “perdida”, trabalhadores rurais e lideranças campesinas, indígenas e quilombolas.
Como igreja somos chamados/as a sermos vozes proféticas na denúncia de injustiça, violação dos direitos humanos, preconceito racial, de gênero, econômico e social e trabalhar em defesa da vida plena e abundante prometida por Jesus Cristo, promovendo diálogo, sororidade, solidariedade, fraternidade, justiça, para que possamos ecoar as palavras do salmista: “O amor e a fidelidade se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão. A fidelidade das pessoas brotará da terra, e a justiça de Deus olhará do céu… A justiça irá adiante do Senhor e preparará o caminho para ele.” (Salmo 85:10, 11 e 13).
“Bem-aventurados/as os/as pacificadores/ras, porque serão chamados filhos/filhas de Deus” Mt 5:9.
Vitória, 19 de março de 2018.
Conselho Coordenador da IPU

Igreja Sinal

MANIFESTO Sobre o assassinato da Marielle e Anderson

Por entendermos que estamos em um país onde – diariamente – pobres e negros estão sendo mortos.
Por entendermos que estamos em um país onde nunca a polícia matou tanto como agora.
Por entendermos que estamos em um país onde nunca se matou tanto a polícia como agora.
Por entendermos que estamos em um país onde mata-se mais travestis do que em qualquer outro lugar no mundo.
Por entendermos que estamos em um país onde o feminicídio cresce anualmente.
Por entendermos que estamos em um Estado onde 509 adolescentes foram mortos apenas em 2017.
Por entendermos que Marielle – negra, oriunda da pobreza, mulher – morreu não por acidente mas por representar a classe (e lutar por ela) dos “matáveis” de nossa sociedade.
Por entendermos que há muito mais a ser dito sobre as doenças sociais que estamos mergulhados.
Por entendermos que nosso Senhor – o Jesus de Nazaré – nos pede – nos Evangelhos – para darmos de comer aos que tem fome, darmos de beber aos que tem sede (inclusive de justiça), cobrirmos os que tem frio (inclusive de acolhimento e oportunidades), visitarmos aqueles que padecem presos (e temos quase 30.000 em nosso Estado) pois – assim e apenas assim – estaremos fazendo diretamente a Jesus.
Por entendermos que os Evangelhos nos incitam a sermos os que tem fome e sede de justiça.
Por entendermos tudo isso é que dizemos, como igreja, que o que houve com Marielle e Anderson é uma afronta contra Deus, contra sua justiça e ofende os céus.
A morte de tantos jovens e negros precisa parar.
Que Deus nos ajude mas também também nos impulsione à luta e a sermos voz (e gritos, por vezes) em benefício daqueles que não tem voz e, muitos (muitas mães) embargam a sua voz enquanto choram por seus filhos mortos!
Recife – Pernambuco, 15 de março de 2018

Fórum Ecumênico ACT – Brasil

Pois não há sinceridade, nem amor ao próximo,nem conhecimento de Deus na terra.Multiplicam-se mentiras, assassinatos...:sangue derramado segue-se a sangue derramado.Por isso, a terra está desolada” (Os 4.1c -3)
O Fórum Ecumênico ACT – Brasil, integrado por igrejas e organizações baseadas na fé, expressa sua solidariedade aos familiares, amigos e amigas, militantes sociais e ao PSol pelo assassinato da vereadora e ativista Marielle Franco e de Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018.
Marielle, mulher, negra comprometida com as lutas e as causas das populações periféricas é uma das muitas mortes de ativistas de direitos humanos que ocorreram nos últimos meses em nosso país. Nesta declaração, lembramos os nomes das lideranças assassinadas somente nesse ano de 2018: Paulo Sérgio Almeida Nascimento – líder comunitário no Pará (+13/03/2018), Márcio Oliveira Matos líder do MST – Bahia (+26/01/2018), Leandro Altenir Ribeiro Ribas – líder comunitário – Rio Grande do Sul (+19/01/2018), Jefferson Marcelo – líder comunitário – Rio de Janeiro (+04/01/2018), Carlos Antônio dos Santos – líder do movimento agrário – Mato Grosso (+08/02/2018), George de Andrade Lima Rodrigues – líder comunitário – Recife (+23/02/2018), Valdemir Resplandes – líder do MST – Pará (+09/01/2018).
Estas mortes refletem o cenário político e econômico de aumento do autoritarismo e foram provocadas pela desigualdade estrutural mantida pelas elites econômicas e políticas do país. Um projeto de país que não tolera sua população indígena e negra, as mulheres, as pessoas LGBTTs nem tolera trabalhadoras e trabalhadores organizados não pode superar a violencia ou construir uma democracia de fato.
O assassinato de Marielle apresenta características de execução. A Vereadora era relatora da Comissão responsável por acompanhar a intervenção de caráter militar na Cidade do Rio de Janeiro. O temor deste crime, assim como muitos outros, cair no esquecimento é alto. As investigações de sua morte e a de Anderson Gomes precisam ser imparciais, desvinculadas da própria intervenção militar e acompanhadas por organizações e setores da sociedade civil com capacidade e isenção. Isto porque é frágil a confiança por parte da sociedade civil em relação às instituições que deveriam zelar pela garantia dos direitos humanos.
Em função disso, expressamos nosso apoio para à recente criação da Comissão Externa que acompanhará as investigações do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, bem como da Comissão Externa que acompanhará intervenção militar no Rio de Janeiro. Também solicitamos oficialmente à ONU, em especial, ao Relator Especial das Nações Unidas para Execuções Extrajudiciais, Sumarias ou Arbitrarias que visite o Brasil a fim garantir a imparcialidade das investigações deste assassinato e que apresente suas próprias recomendações sobre o aumento de execuções de indígenas, afrodescendentes, mulheres, jovens, LGBTIQ, ocorridas nos últimos dois anos em nosso país.
O fascismo, o racismo, a misoginia e o ódio de classes não são compatíveis com uma sociedade democrática, nem tão pouco com nossa fé.

Fraternidad Teológica Latinoamericana

Como Fraternidad Teológica Latinoamericana, nos solidarizamos con el pueblo brasileño, por el asesinato de Marielle Franco, concejal y activista de los derechos humanos y una de las voces más combatientes contra la ocupación militar de las favelas de Río de Janeiro.
Marielle Franco, fuerte activista por los derechos de las mujeres, y justamente regresaba del evento “Jóvenes Negras Moviendo las Estructuras”, la noche del 14 de marzo, fue asesinada por pistoleros que estaban en otro vehículo y que dispararon indiscriminadamente.
El 13 de marzo en sus redes sociales denunció: “Otro homicidio de un joven que se agrega a la cuenta de la Policía. Matheus Melo estaba saliendo de la iglesia ¿Cuántos más tienen que morir para que esta guerra acabe?”
En el ataque también murió el conductor de su vehículo mientras que una asesora de la política identificada como Fernanda Chaves sufrió heridas sin gravedad.
En estos momentos, movilizaciones multitudinarias se están efectuando en Río de Janeiro y distintos puntos de Brasil, exigiendo el esclarecimiento de este crimen contra una defensora de los derechos humanos que claramente se oponía a la violencia de Estado, cada vez más presente en la ciudad de Río de Janeiro.
Oramos por Brasil y nos unimos a las consignas por justicia y protección a la población brasileña, hacemos el mismo llamado que hizo Óscar Romero, un día antes de ser asesinado (el 24 de marzo de 1980):
“En nombre de Dios, pues, y en nombre de este sufrido pueblo, cuyos lamentos suben hasta el cielo cada día más tumultuosos, les suplico, les ruego, les ordeno en nombre de Dios: ¡cese la represión!”.

Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito

Na luta, o luto por Marielle Franco!
Ontem mataram Marielle! Morreu mais um pouco de todos nós!
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito manifesta toda solidariedade à família da vereadora Marielle Franco, a seus amigos, a todos que lutam, a todos nós.
Que a execução dessa mulher negra, feminista, favelada, não nos silencie. Nem nos paralise o medo que nos assola. Que continuemos na defesa dos direitos, da justiça, da igualdade de oportunidades.
Como Frente de Evangélicos, clamamos à Deus, para que a justiça se manifeste. E que corra como um rio perene nas nossas vidas, no Rio de Janeiro, em todo o Brasil.
A Frente manifesta, também, a mesma solidariedade à família do motorista Anderson Pedro Gomes atingido durante o exercício de sua profissão pela mesma cega brutalidade.
Que haja rigor e prontidão nas investigações, como convém em todas as mortes marcadas pela violência extrema e absurda.
A morte de Marielle calou sua voz, mas seu grito por justiça permanecerá diante de Deus e, por muito tempo, diante de nós, nos lembrando de que a luta é pela causa justa, e que não podemos recuar.
Que o Senhor a todos console.
“Corra, porém, a justiça como as águas, e a retidão como o ribeiro perene.” Amós 5:24

Ordem de Pastores Batistas do Brasil – OPBB

A Ordem dos Pastores Batistas do Brasil manifesta seu pesar e repúdio a qualquer ato que atente contra a vida humana, um dom de Deus.
O assassinato da Vereadora Marielle Franco merece destaque porque ela era uma personalidade pública, eleita, representante de uma parcela de uma área populosa e sofrida do Rio de Janeiro.
Se confirmado que foi assassinada por suas opiniões, teremos atravessado uma nova e grave linha na já trágica deterioração de nossa sociedade. Como pastores batistas, defendemos o direito de todos expressarem suas ideias e crenças.
Empenhamos nossas orações e nossos púlpitos para que os tristes sejam consolados e para que se reverta o quadro de violência e medo a que estão submetidos os cidadãos do Rio de Janeiro.
E por fim, encarecemos às autoridades do Rio de Janeiro o máximo empenho para encontrar e punir os responsáveis por mais esse crime hediondo.
Rio de Janeiro, 16 de Março de 2018

Pastoral da Juventude – CNBB

“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.” (Jo 12,24)
A Pastoral da Juventude Nacional quer por meio dessa nota tornar pública sua indignação diante de mais esse brutal caso de extermínio e prestar sua solidariedade aos familiares, companheiros e companheiras de Marielle Franco, Vereadora da cidade do Rio de Janeiro e o motorista Anderson Pedro Gomes, que com ela estava na noite de 14 de março, noite de suas execuções.
Marielle, presente! Marielle é para nós símbolo de resistência e luta pela vida das mulheres, negros e jovens que diariamente são assassinados/as nas favelas e campos de nosso país.
Nossa fé pascal nos garante que as ressurreições acontecem tanto em um âmbito teológico-espiritual como social, onde o martírio de nossos companheiros e companheiras se tornam sinal de resistência e força para que juntos possamos nos mobilizar e ampliar o grito pela vida em plenitude.
Nesse sentido queremos fazer coro às palavras de Dom Pedro Casaldáliga em sua carta aberta aos nossos Mártires:
“Escrevemos a todos vocês, mulheres e homens, que deram a vida pela Vida ao longo de nossa América, nas oficinas e campos, nas escolas e igrejas sob a noite ou a luz do sol. Por Vocês, sobre tudo nossa América, é o continente da morte e da esperança.Escrevemos a vocês em nome de todos os Povos e nossas Igrejas, que a vocês devem a coragem de viverem defendendo sua identidade e a vontade teimosa de seguirem anunciando o Reino, contra a maré do anti-reino neoliberal.Cremos que enquanto houver martírio haverá credibilidade, haverá esperança.”
Pela memória de Marielle, jovem mulher que também teve sua passagem pela Pastoral da Juventude da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, na Maré, e de muitas outras companheiras, convocamos todos/as a se juntarem na luta pela fim do ciclo de violência contra as mulheres, pelo fim das intervenções militares, falaciosas e oportunistas que em nada garantem a superações da violência e os direitos humanos aos pobres já violentados diariamente por esse sistema de perversa injustiça social.
Marielle Franco, Presente na Caminhada!
Anderson Pedro Gomes, Presente na Caminhada!
Passo Fundo, 15 de março de 2018.
Coordenação Nacional, Secretaria Nacional e Comissão Nacional de Assessores da Pastoral da Juventude

Paz e Esperança

A justiça virá, o Brasil a verá
Ó Senhor Deus, até quando clamarei pedindo ajuda,e tu não me atenderás?Até quando gritarei: “Violência!”,e tu não nos salvarás?Por que me fazes ver tanta maldade?Por que toleras a injustiça?Estou cercado de destruição e violência;há brigas e lutas por toda parte.Por isso, ninguém obedece à lei,e a justiça nunca vence.Os maus levam vantagem sobre os bons,e a justiça é torcida.Habacuque 1:2-4
Impossível não lembrar o profeta Habacuque ao ler a última publicação de Marielle Franco nas redes sociais. Na noite de sua morte ela escreveu: “Até quando? Até quando? Quantos vão precisar morrer para acabar essa guerra?”.
É com profunda tristeza que nós, do Paz e Esperança Brasil, escrevemos esta primeira manifestação pública. Somos a associação mais recente a se unir à fraternidade de organizações que compõem a família Paz y Esperanza com presença em oito países.
Escrevemos para compartilhar de mais um episódio de dor e perda – que lamentavelmente tem sido constante em nosso país – que desta vez vitimou uma importante e simbólica liderança popular da cidade do Rio de Janeiro, a vereadora Marielle Franco.
Olhar o presente e pensar o futuro de Marielle nos dava a certeza de que ela era uma liderança fundamental. Ela era uma potente e concreta expressão de tantas vozes que têm sido violentadas e silenciadas. Ela representava a esperança encarnada para tantas mulheres negras de periferia, das favelas, um exemplo, um objetivo, um orgulho.
Na execução ocorrida na noite do dia 14 de março o seu motorista, Anderson Gomes, foi mais uma vítima que se junta, com Marielle, aos 60 mil brasileiros que são assassinados a cada ano em nosso país. Na sua grande maioria estes mortos têm cor, a negra, e pertencem a uma classe social, são pobres.
O exemplo e a vida de Marielle são potente alimento para a nossa mobilização. Hoje nosso luto e nossas orações estão voltados para os seus familiares e amigos. Hoje nossas vidas carregam esta marca, dor profunda, mas seguimos em pé com a certeza de que a única direção é a que Marielle viveu, assumiu e defendeu, estar ao lado dos Direitos Humanos, caminhar junto àqueles que sofrem, que são oprimidos e oprimidas por serem pobres, pretos, pretas, LGBTs, moradores de favelas.
O Brasil foi as ruas homenagear a vida e luta desta mulher. Pedimos que nossos irmãos e irmãs da família Paz e Esperança se unam a nós neste clamor. Que a graça, a paz e a justiça de Deus se façam presentes de forma abundante sobre a cidade do Rio de Janeiro.
A resposta de Deus a Habacuque nos inspira e é nesta esperança e fé que permaneceremos firmes, guardando na memória a beleza, o sorriso e a paixão com que Marielle Franco viveu e nos inspirou nestes seus 38 anos de vida. A justiça “certamente virá e não se atrasará” (Habacuque 2:3): a esperaremos de forma ativa, na fé do Espírito e na certeza de que esta é a luta em que precisamos estar.
Rio de Janeiro, 16 de março de 2018

Projeto ABUB contra o Racismo

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” Mateus 5:6
O Sangue Derramado*
A tentativa de expressar dor, perda e a percepção da continuidade de tanta violência nos deixa paralisados e perplexos.
Bem conhecemos a injustiça e tanto esperamos por justiça. Seguir uma fé que nos convida a tê-la como a nutrição da vida, faz-nos sentir parte de tudo que toca a esse respeito.
A morte da vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes nos mata também, e atenta contra cada uma das vidas que insistem em discordar da violência, do ódio, do racismo, do descaso, da opressão e de toda injustiça praticada seja no Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Alepo (Síria) ou em qualquer outra parte do mundo.
Marielle era uma mulher negra, pobre, mãe solo, da favela da Maré. Chegou a lugares nunca alcançados e estava abrindo o caminho para que outros/as pudessem chegar ainda mais longe. Estava denunciando as estruturas injustas e o genocídio contra a população negra quando foi assassinada, executada, silenciada. Mas nós não nos calaremos. É Jesus quem nos alerta que, se nós nos calarmos, as pedras clamarão. E é ele quem nos ordena a erguer a voz em favor dos violentados, oprimidos, injustiçados.
A morte de Marielle Franco e Anderson Gomes será, mais do que nunca, um infeliz motivador para a busca por verdade e punição destes e de outros crimes parecidos.
A dor sempre existirá, também nunca será maior do que o sonho de noites e dias de paz.
*Por estudantes e profissionais articuladores do ABUB Contra o Racismo

Projeto Redomas

Na noite do dia 14 de março, Marielle Franco foi executada na região central do Rio de Janeiro. Os 9 tiros que a atingiram tinham destino e objetivo definidos.
Mulher negra, favelada, mãe, bissexual e a 5ª vereadora mais votada nas últimas eleições, Marielle tinha sido recém nomeada relatora da comissão fiscalizadora da intervenção militar no Rio. Seu assassinato representa a tentativa de silenciar uma voz que dedicava a vida para defender os Direitos Humanos, denunciar estruturas opressoras e abrir caminhos para que outras/os chegassem ainda mais longe do que ela.
A morte de Marielle nos assusta. Nos paralisa por um momento e ecoa o grito de Eclesiastes de que nada faz sentido debaixo do sol. Ecoa o grito das mulheres negras que enfrentam a morte de frente todos os dias, mesmo vivendo para fazer do luto o verbo.
Um dia antes de ser executada, Marielle denunciava o homicídio de Matheus, jovem assassinado pela PM na porta de uma igreja evangélica na Favela do Jacarézinho.
Nosso desejo é que nesse domingo cristãs e cristãos levantem suas vozes e forças para impedir que continuem tentando calar as vozes proféticas que se posicionam contra a injustiça em nosso país. Que nossa vida cristã, liturgias e cultos proclamem que “o corpo negro, caído no chão, é templo do Espírito Santo” (Ronilso Pacheco)
Em meio a dor, encontramos esperança ao saber que Cristo carrega nossos fardos, enxuga toda lágrima e promete que nossa fome e sede de justiça será saciada. Que em meio ao luto, encontremos no Eterno a força para continuar lutando. Marielle, Presente!
“Para nos fazer visíveis é preciso narrar nossas histórias. E mais, é preciso assumir o protagonismo delas, é preciso não deixar cruzado o caminho entre as opressões e as violências sofridas, nos organizando de todas as formas possíveis: nas ruas, nas escolas, nas igrejas. É preciso erguer nossa voz.” – Nilza Valeria (Trecho do texto “Erguendo a voz contra a morte certa”, disponível no link: http://projetoredomas.com/erguendo-voz-contra-morte-certa/)
Em Cristo,

Rede Evangélica Nacional de Ação Social – RENAS

É com profunda tristeza que recebemos e lamentamos a notícia do assassinato a tiros da vereadora Marielle Franco e de Anderson Pedro Gomes, seu motorista, na noite desta quarta-feira (14).
Estamos perplexos com a violência que insiste em atingir líderes da luta pelos Direitos Humanos a fim de silenciar as vozes que ecoam contra as desigualdades e as injustiças praticadas, muitas vezes pela própria força de autoridades.
Marielle era muitas – mulher, negra e favelada. Por ousar falar pela justiça, ela foi silenciada da forma mais dura, que é a morte por execução. Um silêncio que, infelizmente, representa as muitas Marielles ainda vivas em nosso país.
Como cristãos comprometidos com a vida e com a justiça, somamos nossas vozes ao lado de tantas outras Marielles silenciadas e injustiçadas.
RENAS reafirma seu compromisso com a Democracia, a Liberdade e os Direitos Sociais, Civis e Políticos do Brasil e expressa nessa nota sua solidariedade aos amigos e às famílias dos executados na noite de ontem no Rio de Janeiro e preocupação de que as investigações policiais sejam realizadas com transparência e compromisso com a verdade.
Nossa oração é para que Deus transforme as lágrimas de dor em justiça, aquela justiça que “corre como um rio perene”.

Rede FALE

O Brasil tem se tornado tristemente campeão de assassinatos de defensores e militantes de Direitos Humanos. Neste dia 14 de março de 2018 tombou Marielle Franco, vereadora do Psol/RJ que denunciava abusos contra a população pobre e negra que sofre genocídio sistemático.
Em sua última manifestação neste campo, Franco denunciou a morte de um jovem evangélico assassinado na porta de uma Igreja e recentemente foi escolhida como relatora da comissão destinada a acompanhar a controversa intervenção militar federal no Rio de Janeiro.
Essa nota, manifesta não apenas nossas condolências às famílias e companheiras/os de Marielle e Anderson Gomes (motorista também vitimado por esse crime absurdo e brutal), mas também é um grito para de resistência contra as violações aos Direitos Humanos em todo país.
A Rede FALE, assim como outras organizações, tem há alguns anos se colocado ao lado de todas/os companheiras e companheiros que levantam suas vozes bem como suas ações de justiça e paz contra desigualdades e violências que mulheres, negros, indígenas, migrantes/refugiados e pobres sofrem cotidianamente.
Oremos pelos familiares de Marielle Franco, especialmente sua filha, e de Anderson Gomes, por consolo e paz da parte de Deus que é socorro bem presente no dia da angústia. Que as misericórdias, a justiça e a paz de Deus venham de forma abundante sobre o Rio de Janeiro e em todo nosso país.
Em Cristo, por seu amor e justiça!

Rede Miquéias Brasil

“Não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos. Atos 4.20”
Miqueias Brasil manifesta indignação pelo ato de execução de Marielle Franco, e solidariedade à família, amigas e amigos, por tamanho ato de crueldade cometido contra Marielle e Anderson Pedro Gomes.
Companheira guerreira, brava, feminista, admirável e inspiradora na luta por direitos humanos. Mulher negra, da Maré e de luta, batalhou por justiça de gênero, justiça racial com resistência e esperança.
Marielle corajosamente denunciou as injustiças que acometem os grupos de minorias como mulheres, juventudes, negras e negros das periferias empobrecidas e não deixou de apontar o poder opressor e negligente de um estado ausente e truculento. Executada dias após denunciar a violência policial acentuada pela intervenção militar em favelas do Rio, exigimos verdade e justiça na apuração dos fatos.
O Brasil das mulheres, do povo de luta, da população negra e empobrecida está de luto, mas transformaremos nosso luto em luta.
A Rede Miqueias não se calará diante dos desmontes dos direitos e das execuções de vidas que tem acontecido no nosso país.
Seguiremos denunciando as injustiças e anunciando o Reino de paz e vida abundante para todas as pessoas; reiteramos nosso compromisso de não descansarmos enquanto a visão do salmista de que “ justiça e paz se abraçarão – Salmos 85:10b”, se torne uma realidade concreta. Exigimos justiça!
Colegiado Miqueias Brasil, Março de 2018.

Rio de Paz

Assassinato de vereadora é atentado à democracia e aos direitos humanos
O Rio de Paz vem a público manifestar todo seu repúdio ao assassinato brutal e covarde da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Pedro Gomes, ocorrido na noite de quarta-feira, dia 14 de março, a dois dias de se completar um mês da intervenção federal na segurança pública do Rio. Este atentado à democracia e aos direitos humanos não pode ficar impune. Deveria ser uma questão de honra para a intervenção e o governo federal. Nada é mais urgente agora do que a resposta que a Polícia Civil precisa dar a esses homicídios.
Os tiros que mataram Marielle e seu motorista foram disparados também contra cada um de seus eleitores e pra tentar calar aqueles denunciam a violência dos covardes. Nascida na Favela da Maré, a vereadora, uma das cinco mais votadas nas eleiçoes passados, se notabilizou por um trabalho em defesa dos sem voz, minorias e vítimas da violência praticado por agentes públicos.
O Rio de Paz se empenha em acreditar que de uma resposta rápida e eficiente do poder público depende inclusive a credibilidade da própria intervenção. A importância de a polícia dar prioridade à investigação desse crime não é de forma alguma pelo fato de a vereadora ser melhor do que qualquer outra vítima de homicídio. Pelo contrário. Ela era uma mulher simples, nascida e criada na favela da Maré. Outros assassinatos também clamam por Justiça.
Rio de Paz
Direitos humanos não têm lado.

Universidad Biblica Latinoamericana

La Universidad Bíblica Latinoamericana, expresa su dolor e indignación por el reciente feminicidio perpetrado contra nuestra compañera feminista Marielle Franco, concejala de Rio de Janeiro, quien tuvo una de las elecciones más celebradas de los últimos tiempos en la ciudad de Río de Janeiro, Brasil.
Marielle Franco, procedente de las favelas de Maré, era una popular activista feminista y defensora de los derechos humanos; asimismo, llevó el debate electoral para la defensa de los vecinos de las favelas y presentó el proyecto para la creación del Dossier de la Mujer Carioca, compilando datos sobre la violencia de género en el municipio. Marielle fue una de las voces más combatientes contra la ocupación militar de las favelas de río de Janeiro. Un día antes de su asesinato, había denunciado la violencia del ejército en la región de Irajá, en la comunidad de Acari.
El crimen ocurrió cuando ella regresaba del evento “Jóvenes Negras Moviendo las Estructuras”, la noche del 14 de marzo, casi un mes después de que el presidente brasileño, Michel Temer, decretara una intervención federal en la seguridad de Río de Janeiro para combatir la ola de violencia que afecta al estado más emblemático de Brasil desde los Juegos Olímpicos de 2016. La decisión cede a los militares el control de la seguridad en Río hasta finales de 2018 tras la ola de violencia que el año pasado causó 6.731 muertes. El Partido Socialismo y Libertad (PSOL) en el que militaba presentó esta semana un recurso en el que le solicitó a la Corte Suprema que declare la medida como inconstitucional.
En una reciente entrevista al iniciar su mandato como Concejala afirmó: “Ser mujer negra es resistir y sobrevivir todo el tiempo. Las personas miran nuestros cuerpos disminuyéndonos, investigan si debajo del turbante tenemos drogas o piojos, niegan nuestra existencia. Eso que pasé en el aeropuerto fue una vivencia por la que muchas mujeres negras ya pasaron. Podríamos hacer una investigación objetiva preguntando a cuantas mujeres y hombres blancos les revisaron sus cabellos, la respuesta sería ninguno. Estamos expuestos y somos violentados todos los días. Para que la discusión se amplíe es fundamental comprender que estamos en un lugar de trato diferente. Es necesario reconocer el racismo.”
Hoy, denunciamos la violencia institucional, la violencia de género, el racismo, el machismo y la represión ejercida en nuestras naciones, especialmente, en Brasil.
Desde San José, Costa Rica, nos unimos a las movilizaciones en Brasil para exigir a las autoridades federales, estatales y municipales el esclarecimiento de este crimen, el cese a la represión y criminalización, y la protección a las mujeres defensoras de los derechos humanos.

Visão Mundial

Nota sobre a intervenção Federal no RJ e o assassinato da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes
É sabido que o Rio de Janeiro tem sofrido, como outros estados brasileiros, uma deterioração na já precária situação de segurança pública, com altíssimo custo em vidas de civis, de agentes de segurança e principalmente de adolescentes, jovens e moradores de áreas periféricas e marginalizadas.
No dia 16 de fevereiro, uma Intervenção Federal decretada pela Presidência da República colocou a gestão da Segurança Pública do Rio de Janeiro sob a autoridade do Exército Brasileiro. As mesmas forças militares, além de outras forças auxiliares, têm sido recorrentemente usadas nos últimos 10 anos de forma inócua e com um histórico significativo de violações dos direitos humanos.
As primeiras ações desta nova incursão militar já revelam falta de planejamento, de transparência nas ações e inadequação do treinamento da força militar para a tarefa a ela designada. Já são visíveis as práticas de criminalização dos moradores das áreas marginalizadas.
Lamentavelmente, após um mês da intervenção federal, a vereadora Marielle Franco, que vinha denunciando a truculência do estado nas áreas periféricas e o abuso e violência policial, foi brutalmente executada. juntamente com seu motorista, Anderson Pedro Gomes.
Assim, a corrente intervenção aumenta ainda mais a preocupação da Visão Mundial com a integridade física e emocional da Infância e Juventude do Estado do Rio de Janeiro, sobretudo das que vivem nas áreas mais vulneráveis, com o consequente desrespeito aos seus direitos fundamentais, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, (ECA). A Visão Mundial lembra que, a partir do Decreto do Presidente da República, a Autoridade Federal é responsável pela gestão da Segurança Pública no Rio de Janeiro. Portanto, a Visão Mundial exige que as forças militares garantam que as abordagens policiais sejam compatíveis com os princípios do ECA, que crianças, adolescentes e jovens tenham assegurados seu direito de ir e vir , que sejam especialmente protegidas em qualquer embate entre forças legais e criminosas, através de protocolos especiais para proteção da infância e juventude e canais para garantir o direito de acesso à informação a toda Sociedade.
A falência sucessiva de políticas de segurança paliativas, focadas no uso intensivo da força, demonstra que a Segurança Pública, direito de todos, não será sustentavelmente garantida sem investimentos em políticas sociais estruturais e participação cidadã ativa. Só existe Segurança Pública onde há o império da Lei e assim o respeito aos Direitos Fundamentais da Pessoa Humana. Só existe vitória sobre o crime com a Democracia e esta demanda transparência, respeito às políticas legalmente instituídas e responsabilidade civil dos agentes públicos.
A proteção à vida de cada criança e adolescente é responsabilidade de todas e todos.
* Organizado por Flávio Conrado. Última versão: 28/03/2018, às 10h30.
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