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A religião de Jesus

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A religião de Jesus

Jesus não foi um Mestre comum e habitual que, como muitos, ensinara sem causar reações adversas por parte de seus ouvintes. Jesus não foi assim. Jesus disse coisas que incomodaram aos religiosos de seu tempo, que provocaram os políticos e causaram ira em seus outros inimigos. Sua morte na cruz foi causada por quem não suportou mais suas “irreverências” e decidiram calar sua voz… Como se morrendo não falaria mais claro e mais forte!

É compreensível que desatasse tanta fúria quando ensinava contra as tradições religiosas e os dogmas que os sacerdotes de sua época haviam estabelecido para seu próprio bem-estar. Isso se entende. O incompreensível é que seus inimigos também reagissem quando curava algumas pessoas. Como se pode ser contra um paralítico se levantar ou um cego enxergar? Mas foi isso o que aconteceu.

João 9.1-42 narra a história de um jovem que era cego e foi curado por Jesus. Diz o evangelho que os religiosos de sua época reagiram contra Jesus porque o havia curado num sábado. Não posso crer que gente tão conhecedora da lei do Antigo Testamento respondesse dessa maneira! Disseram: “Esse homem não é de Deus, pois não guarda o sábado” (9.16). Para eles, era mais importante respeitar a institucionalidade religiosa que devolver a vista a um cego. Ou seja, primeiro as normas, depois o ser humano; a religião antes da vida.

O texto do evangelho de João deixa evidente o absurdo a que pode chegar uma religião quando se esquece de que o amor a Deus se expressa por meio do amor ao próximo. Para Jesus, a vida plena esteve sempre antes das instituições religiosas. Para ele não havia melhor maneira de dar glória ao Pai que devolvendo a vida aos que não a tinham (10.10).

Que os coxos andem, que os mortos ressuscitem, que os cegos vejam, que as viúvas tenham consolo, que os pecadores recebam perdão e que as crianças gozem de afeto. Esta foi a religião de Jesus.

Teólogo, escritor e coordenador de Compromisso Cristão da Visão Mundial para a América Latina e Caribe. Foi um dos oito observadores não católicos na V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, realizada em Aparecida, SP, em 2007. É colombiano mas mora há alguns anos em San José, Costa Rica. É autor de "No Caminho com Jesus" (Novos Diálogos, 2012) e um dos organizadores de "Para falar de criança: Teologia, Bíblia e pastoral para a infância" (Novos Diálogos, 2012).

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