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Desobediência Civil: A ética potente do amor

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Desobediência Civil: A ética potente do amor

A história e a teologia dão conta de que a fé judaica, nos tempos do Novo Testamento, pautava-se prioritariamente nas regras. Tudo estava previamente determinado, legalizado, autenticado pela lei. Isso se dava na “relação” com Deus e com os homens. Mulheres apedrejadas; seres humanos em situação de rua; impossibilidade de relação aos sábados e escravidão. Tudo, não podemos nos esquecer, sancionado com permissão e autoridade de deus.

Nasce em Belém a REVOLUÇÃO DO AMOR. É a trindade reconfigurando a história:

~ como pode abraçar prostitutas? ~

~ como pode comer com pecadores? ~

~ o que esse rapazinho está fazendo discutindo a Lei conosco? ~

~ esse é o filho do carpinteiro? ~

~ pode vir alguma coisa boa de Nazaré? ~

Jesus toma a LIBERDADE de reestruturar a lei (Dt 4.2). Como é mesmo que Moises dizia? Eu, porém, vos digo…

Assim, reconfigura:

a pena de morte para adúlteros pego em flagrante (Jo 8.11)

a poligamia (Mc 10.9)

a lei do sábado (Mc 2.27)

a pureza legal (Mc 7.15)

***meu deus, quanta coisa***

Jesus subverte todo o sistema e FRUSTRA todas as EXPECTATIVAS. Se a Lei auxilia o homem, aumenta ou possibilita o amor, Ele as aceita. Se, ao contrário, potencializa o ódio, legaliza a escravidão, Ele as repudia.

Jesus é um desobediente da civilidade que mata. Mas, amante do AMOR QUE ACOLHE.

A salvação não está na lei, mas no Amor. O que Jesus prega não é algo que os homens não conhecem. Mas é a ÉTICA POTENTE DO AMOR que foi vilipendiado pelas conjunturas violentas do poder.

Jesus não se atém às convenções religiosas/denominacionalistas. A saber, não lava as mãos antes de comer; não respeita a divisão classista; fala com todos; abraça a todos. Aos escandalizados? “Não vim chamar os santos, mas os pecadores”. Está aberto a todos e todas: aos pecadores públicos como os cobradores de impostos com quem come, aos guerrilheiros zelotas, dos quais três pertencem ao grupo dos Doze, aos observantes da lei como os fariseus, às mulheres, aos estrangeiros e às crianças.

O Evangelho liberta o homem da lei e da irresponsabilidade. Leis que não conduzem ao amor, não podem permanecer.

Jesus diz que o trabalho precisa estar a serviço do trabalhador (Mc 3.1; Lc 13.10; Lc 14.1). Porque o que nos move não é uma vontade IN-DI-VI-DU-AL, o acúmulo, o capital, o poder, a ganância. O que nos move é a luta pelo direito de existir de todos e todas.

Converter-se a Jesus é ser amante do amor. Seguir a Cristo é mergulhar numa experiência densa de amor ao próximo. E agora, convertidos ao Evangelho, experimentamos a mais rigorosa das leis: O AMOR.

Graduado em Teologia pela Faculdade Unida de Vitória. Mestrando em Ciências da Religião na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Licenciando em Pedagogia na Universidade Estadual Darcy Ribeiro. Tem pesquisado sobre igreja e sociedade, neoliberalismo, globalização, direitos humanos e pós-humanismo, e economia política.

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