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Unidade. Diversidade. Profecia

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Unidade. Diversidade. Profecia

* Por Alexandre Pupo Quintino

Estão reunidos hoje em St. Louis, Missouri, mais de 850 delegadas e delegados na Sessão Especial da Conferência Geral da Igreja Metodista Unida. Esta igreja, chamada de UMC, é a maior denominação metodista do mundo, e é uma igreja global. Seus 12 milhões de membros estão distribuídos entre os Estados Unidos, África, Europa e Ásia. Algumas igrejas metodistas fizeram opções históricas por se tornarem independentes e nacionais, como o Brasil, Reino Unido, África do Sul e Coréia do Sul, não fazendo parte da UMC, apenas como igrejas parceiras de uma mesma raiz wesleyana. Entretanto, como principal igreja metodista global e a segunda maior denominação protestante dos Estados Unidos, suas decisões e discussões tem impacto público importante.

Esta sessão especial foi convocada em 2016, após impasse histórico em votações sobre a inclusão das pessoas LGBT na igreja, que envolvem a ordenação de pessoas abertamente homossexuais e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Com pauta única, os delegados irão votar, ao longo dos próximos três dias, apenas nas propostas que passaram pela comissão “The Way Forward” – criada para essa conferência – e pelo Conselho de Bispos.

A liderança da igreja já fala claramente em uma divisão entre três campos: os progressistas (pró-inclusão), os centristas (pró-unidade) e os tradicionalistas (anti-LGBT).

Quatro planos foram apresentados para votação, um referendado como preferencial pelo colégio de bispos. O primeiro, apoiado pelos progressistas, é o “Simple Plan” – SP, que basicamente retira toda a linguagem discriminatória do livro canônico da igreja, abrindo caminho pra ordenação e casamento das pessoas LGBT. O segundo, apoiado pela maioria dos bispos, centristas e criticamente apoiado pelos progressistas, é o “One Church Plan” – OCP, que prevê a retirada da linguagem discriminatória mas reservando o direito às regiões, congregações e pastoras/es decidirem critérios próprios de ordenação e casamento. Em terceiro lugar, o “Connectional Conference Plan” – CCP, que não conta com apoio de quase ninguém e é muito difícil de ser operacionalizado, propõe a criação de três conferências dentro da UMC, uma para cada tendência atual. Por último, o “Traditional Plan” – TP – ou sua versão piorada, o “Modified Traditional Plan” – MTP. Este plano prevê a manutenção da linguagem discriminatória com criação de mecanismos de expulsão daqueles que a descumprirem. É o plano dos tradicionalistas, apoiado pelo metodismo do Bible Belt e a maioria das igrejas africanas.

Acontece que o foco principal da discussão não está apenas na sexualidade humana, mas na divisão da igreja. Este tema revelou divergências profundas sobre o modo com que diferentes grupos leem e utilizam a bíblia. De forma fundamentalista e instrumentalizada para alguns temas específicos, ou de forma libertadora e contextualizada com os desafios de cada período. Os tradicionalistas já avisaram que se não passar o “Traditional Plan” eles racham com a igreja. Inclusive, já lançaram a “Wesley Covenant Association”, organização que já planeja e organiza o grupo para fundar uma nova denominação. Neste sentido, centristas, a maioria da igreja, clama pela unidade em torno do “One Church Plan”.

Estes três dias definirão o futuro do metodismo não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Por este motivo, até os reitores das universidades metodistas, como Duke University e American University, se pronunciaram publicamente pela inclusão.

É uma oportunidade histórica. Um passo importante que o metodismo pode dar em direção a inclusão, a profecia e a unidade.

Pela inclusão total das e dos metodistas LGBT em nossas igrejas.

Nós existimos, nós resistimos!

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Acompanhe a cobertura e transmissão ao vivo da General Conference pelo link:
http://www.umc.org/topics/general-conference-2019-special-session

Alexandre Pupo é de São Paulo, advogado, membro da Igreja Metodista de Vila Mariana e trabalha em KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço.

O Evangélicxs pela Diversidade é uma rede que reúne pessoas LGBTI e aliadxs que se identificam como evangélicas e que entendem que a diversidade sexual e a identidade de gênero devem ser celebradas como expressões da fé e espiritualidade, e que independente do gênero ou sexualidade, as comunidades de fé podem ser um lugar seguro para todxs.

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